terça-feira, 30 de setembro de 2008


E que alegria é essa de ossos fracos e esse "eu" de raízes curtas? Nem pensar, meu bem. Deixe só as marcas dos tornozelos nessa areia de nós todos, é a única coisa que vais deixar: marcas de tornozelos. Porque o resto vai embora para nunca mais, junto de um tom desafinado e uma cor que é suja e, portanto, interessa. É sopa fria sem pimenta, olhar morango e não comer, ir ali só por ir... mas que chato. Dá um tapa nesse mundo tolo, e pega as bolsas para lavar, aquelas bolsas de que tanto andar por aí ficam sujas de nós. Com o nosso sujo cheiro e o cheiro sujo, tudo assim, muito junto e entranhado, como cada nota do Baleiro, como cada pegada do goleiro, e é tudo assim, tudo muito jogado, tudo muito dado, e se é dado, então pega. E segura, logo, porque tudo vai daquele jeito de álcool na pele, volável. Não é assim na química? É assim na vida, ora. Ora se é.

4 comentários:

Isamara Paes disse...

eu gosto de me perder entre se sou eu mesma ou se já estou entre as coisas dos outros e me perco porque de fato a gente acaba se tropeçando entre nós dois e tudo parece ser um só, uma só, uma mistura toda e eu acho tão bonito quando isso acontece, mas que depois não venha dizer que acabou, que precisa ir embora, que tudo isso necessita de um ponto final, pois sou feitinha de continuações e limite para mim são três pontos seguidas, uma virgula e nunca, nunca, nunquinha mesmo venha me trazer de presente pontos seguidas, nem desse tipo o gosto é bom, tudo que sou, só sou, porque me enrolo entre os outros e meu cheiro se confunde com os deles, mesmo olhando, mesmo você tentando de alguma forma, meu bem, eu sou tudo, todo, completamente manifestos de pessoas.

tão bonito - tão bonito.

Raisa. disse...

Eu não tenho flores por perto e minhas paredes estão completamente mofadas, talvez as deixa desabar e torça para que algum escombro me seja fatal, talvez.

Quero juntas minhas bolsas antigas e rasgar, deixar lembrança é tão triste, mas já sei que o valor da vida está contido em cada uma delas, feliz é aquele que sabe conviver com o amontoado de resquícios que acumula ao longo da existência, memória.

beijo.

Karimme disse...

Às vezes, se desfazer é a melhor saída. Não deixar q o cheiro ruim do passado fique mais impregnado nas roupas, nas idéias, nas lembranças. Cada momento, cada história não precisa necessariamente de algo concreto; as melhores lembranças sempre são aquelas que ficam na abstração! Então, minha cara, não se acanhe de lavar as roupas e deixar q o cheiro das lembranças antigas e cobertas de mofo, dêem lugar aos novos cheiros, lembranças. E guarde todas as suas memórias na sua cabeça, ou no seu coração. Lá, não existirá lavagem que as tire.
Beijos! =*

Mel disse...

texto meio melancolico... tocante, me fez ler várias vezes... preciso ainda refletir sobre ele!