Sabe o que é? É que existem coisas que deveríamos e queríamos seguir, mas existe um monstro chamado medo dentro de nós, que nos faz acreditar que qualquer desvio da rotina torta das nossas vidas nos feriria como os arames farpados fazem com a carne quente de quem corre para um lugar que não sabe, assim, muito rápido e suado. É algo que evita que as pessoas queiram sentir na vida aquela sensação de bebida fervendo rasgando o corpo em uma tarde de sol e pouco vento, aquela tarde em que não há maciez ou palavras de seda, algo que evita que gritemos com esse tipo de tarde e que passemos o pé para que ela caia de cara e quebre o nariz no chão. Ficamos tão inaptos que nem percebemos as cores à nossa volta, nem ao menos reparamos se há uma borboleta-felicidade perto de nós.O medo nos embebeda de coisa ruim. O medo nos arruina. O medo nos come.... nos come vivos-mortos. Mas, o que se tem a saber é que arames farpados anciosos por carnes cortadas existem por todos os cantos, e se materializam em nomes, rostos e fatos, mas o que não se pode fazer é dá passos atrás quando se pode ter um final de tarde tão mais bonito... bem na nossa frente... desse jeito... meio rosa de alegria...de um dia que nunca vai terminar porque estará guardado em um lugar meio labirinto que é escondido com muito carinho por nós. Dias que nos fazem acreditar que o coração bate para viver e, quem sabe, sorrir. Porque dias assim, são dias de conseqüência...dias que passamos por cima do medo de arames farpados.
Então, pega minha mão... pega e me puxa.
Foto: Camila Gama
Então, pega minha mão... pega e me puxa.
Foto: Camila Gama