domingo, 31 de agosto de 2008

'vambora'

Eu chuto lata e ando descalça
Eu rio sozinha, estou na estrada
Grito silêncio e engulo barulho
Mas, pode mandar... mande e eu chuto

Chuto para mais longe do que pensarias estar
Não é fácil...
Isso é para quem quer
E para quem sabe jogar

E para quem estala os dedos
E sai correndo na hora
E para quem não perde tempo
E sai gritando: 'vambora'!

Vambora...
Vambora...
Vambora...
E vambora!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Parapeito (parte 2)


Havia uma ponte adiante e ele pensou que seria mais fácil chegar ali, pular de cabeça na coleção de pedras que aquela terra tinha e acabar de vez com todos os fantasmas do mundo, com todos os dias de pernas cansadas, com os dias em que os olhos mais parecem piscinas, com a respiração de chumbo e, mais do que tudo, com as dúvidas que insistiam em lhe passar a perna. O coração gelado pesava e dizia a direção a ser lançado: 35 passos a frente, meio da ponte, ponto mais alto, 50 metros, para baixo. Isso mesmo. Esse seria o etinerário. Nada o faria parar. Foram 16 passos de convicção... até o tropeço. Tropeço. Mãos raladas do áspero asfalto, pernas bambas (talvez com alguma marca, naquele instante), face direita espremida contra o chão e olhos vidrados nas cores desenhadas no parapeito da ponte, que há 16 passos atrás deveria ter sido o último obstáculo ultrapassado por aquele corpo inútil. O escuro do céu e do asfalto já não eram tão visíveis. Uma outra cor surgira de uma nova forma, dentro de seis pétalas.
"Que amarelo é esse?", perguntou-se. Porque nenhuma cor era assim. Nenhuma cor falava como aquela e arrancava tantas lágrimas de uma só vez e tão rápido, talvez o estado sentimental dele ajudasse, mas definitivamente aquilo era diferente... era, sim. Nenhuma cor gritava daquele jeito. Nenhuma cor tinha aquele silêncio.
" Que formas eram aquelas", admirou-se. Porque todas as formas do mundo mais pareciam rabiscos nervosos e desabilitados de um qualquer coisa, menos desenhista, comparados à harmonia de traços do mais que vivo desenho de parapeito. Era só um desenho de parapeito? O que significava? Quem fez?
"Amarelo?". Claro que não. Não era só amarelo.
"Seis pétalas?". E da mesma forma não eram apenas seis pétalas.
"Quem?", concentrou-se. Quem tinha inventado uma nova cor? Quem tinha salpicado vida em uma cor de uma flor de um parapeito?Aquele que não seria mais ultrapassado como constava no plano.
E a vida daquela cor, daquelas formas, tinham entrado nele como uma fogueira é bem quista em um dia frio (como aquele dia, 16 passos atrás). E se antes ele tinha tropeçado, agora ele estava de pé. Porque alguém estava brincando de Deus:inventando novas cores. Como ele explicaria aquilo?
"Então, eu posso", imaginou. De pé, concluiu os 54 passos restantes e foi em busca de uma nova cor, da sua nova cor. Seria um lilás-fumaça, um verde-maçã, um vermelho-nuvem, um azul-borboleta, um anil-bolha, um nada-aquarela. Não sei, qualquer cor que ainda não existisse, mas que seria dele... só dele.
A ponte ficou para trás, junto com o tropeço, junto das lágrimas, do coração gelado e do parapeito, que nem foi solução... que nunca seria. E agora, como as coisas são... deve haver uma nova cor no mundo. Será um roxo-missanga?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

"roBOBOtizados"

Quando o mundo mostra a sua face hipócrita o que se tem a fazer é não ligar. E eu não quero que as pessoas pensem que essa é uma posição indolente, apática e da mesma forma hipócrita, mas uma atitude madura e honrosa de quem entende que o mundo não entende que a respiração muitas vezes pesa por motivos que apenas um minuto de pessoas irá conhecer, viver e, até talvez, escrever, por motivos que são esquecidos, inferiorizados, marginalizados em favor de um sonho humano-robótico idiota e idealizado. Se o mundo escolheu um estereótipo a ser seguido, a ser respeitado e a ser a imagem de uma dignidade equivocadamente maior e, portanto, mais valiosa do que as demais existentes, o que eu faço é mentalmente (ou verbalmente, quando se trata de um caso à parte) pedir para que todas essas palavras ensaiadas e esteticamente surpreendentes de pessoas que não entendem, claro, sejam introduzidas ,na velocidade da luz, garganta abaixo de cada uma delas. Porque ninguém está suposto a ferir outras pessoas do jeito que achar conveniente. Ah... mas, o mundo quer? Sério? E daí? Porque o mundo também quer que tu não acredites em ti; o mundo não quer também que saibas que a fome, no século XXI, mata mais do que matou em qualquer momento anterior; que os países desenvolvidos, concentrando 29% da população mundial, controlam os outros 71% da população; que 70% da energia produzida no mundo é destinada a esse número: "29%"; que laboratórios multinacionais usam da fragilidade de animais e pessoas economicamente desfavorecidas para usá-las como cobaias de remédios de efeitos colaterais desconhecidos e produtos estéticos ,para a manutenção do estereótipo idealizado pelo nosso "doce" capitalismo (eu preciso dizer que estou sendo irônica?). O mundo não quer que saibas que existem pessoas que recusariam tudo o que ele (esse mundo) ofereceu... por ti; que existem coisas além de dinheiro e glória; que existem princípios além de unidades monetárias. Mas, sabe o que tem de bonito nisso tudo? É saber que, mesmo sendo pouco, existem pessoas que entendem e que lutam de alguma forma contra isso. Eu não conheço a maioria das pessoas que visitam esse blog e dos que eu visito, as pessoas que comentam, ou as que não comentam, mas que me procuram pelo orkut, mas eu acredito e ligo em/para vocês, porque assim como eu... sei que vocês não ligam para o mundo...

Ou ligam?

domingo, 10 de agosto de 2008

Cigana

Eu não ligo muito para proagnoses, essas coisas de destino e tudo. Acredito que podemos fazer tudo quanto ao futuro, e nossas ações diárias é que irão determinar os nossos amanhãs. Muito me intriga que alguém, uma cigana tenha pedido para ler minha mão(isso mesmo, foi o que aconteceu por volta dos meus 13 anos), me intriga muito mais o que ela disse e me desespera ter que sonhar com aquele dia todas as vezes que minha mente parece ter esquecido do episódio. E quando eu sonho com isso, eu volto com minhas pesquisas, voltam minhas perguntas, falham minhas respostas e me frustram os fatos. Eu mastigo pensamentos e no final tenho que cuspí-los pela inexistência de algo que não cause uma "indigestão" instatânea. E sentir uma inutilidade por dentro é pouco... eu me perco, eu tropeço, eu perco o passo e dou de cara em portas que pareciam estar abertas. O que ela quis dizer? Eu não entendo... eu não entendo! Mas, se eu não ligo... por que a pergunta? Porque talvez eu ligue(e o "talvez" é só para não adimitir a certeza). Eu menti... eu até sei alguma coisa... mas, é pouco...e ajuda até seria bem-vinda se eu pudesse falar... se eu pudesse eu falaria... falaria! As minhas pistas são poucas e a minha ambição por informações é enorme. Uma coisa que eu sei é que eu tenho que esperar mais um pouco, não sei quanto, mais um pouco...e aí, eu vou encontar o lugar certo do jardim, de raízes certas e odor específico! Mas, por enquanto, eu estudo tudo de novo! Sabe... eu estou melhor nisso!

sábado, 9 de agosto de 2008

"Eu vejo gente morta"