“Que doidice!”, pensou, porque qualquer pessoa poderia ter entrado naquele ônibus, encontrado aquela carta e feito o que quisesse: talvez aberto e lido, aberto e guardado, aberto e jogado, só jogado, talvez tivesse rasgado, e talvez ninguém nem tivesse percebido. Por que ela teve que achar aquele envelope já amarelo, com aquela letra jogada? Era um endereço, uma abreviação (que talvez fosse o nome) e a única certeza: era a casa 4. Por que o suor parecia frio? Por que não tinha mais o controle das pernas? Por que se sentia como uma folha do outono europeu, que se desprende da quietude de uma árvore frondosa? Afinal, “é só tocar a campainha ou dizer ‘Ô, de casa’ e entregar o tal do envelope amarelo”. Não, não era só isso. Ela agora era uma ponte entre duas pessoas, de uma mensagem que ela nem sabia. Uns sorrisos estavam dependendo dela, e lágrimas, provavelmente, também estavam dependendo dela.
- Não pode passar de hoje- falou para o cacto do jardim da casa 2, que já tinha na direção da janela uma baixa e desconfiada senhora, esforçando-se para se manter nas pontas dos pés, no canto mais longe da sala e, assim, manter seus olhos miúdos atentos para continuar vendo qualquer movimento da menina nervosa na calçada, aquela com a bituca de um segundo cigarro na mão [...][pedaço do que estou escrevendo]
2 comentários:
Olhos brilhantes maré tardia
Cabelos rebeldes em desalinho
Pés descalços no, frio barro
Um berlinde atirado ao caminho
Um bando de alegres pardais
Ou um domador de tempestades
Apenas um pássaro charlatão
Dividindo o pão em metades
Vem mergulhar com os Capitães do Calhau
Mágico beijo
E você escreve muito bem :)
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